NUTRIÇÃO
 
Pesquisa confirma que arroz integral traz benefícios para a saúde com vitaminas
 
ARROZ Pesquisa mostra benefícios do consumo do arroz integral, relacionados à redução do mau colesterol.

O valor nutricional do arroz foi tema de seminário na Estação Experimental da Epagri de Itajaí, no dia 31 de março. A palestra foi feita pelas estudantes de pós-graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo), Nádia Valéria Mussi de Mira e Cristina de Simone Pascual. Participaram pesquisadores da Epagri, professores e estudantes da Univali, extensionistas e técnicos de indústrias de arroz.
O arroz é um dos grãos mais produzidos mundialmente e responsável pela subsistência de dois terços da população mundial de baixo poder aquisitivo. Sua forma integral pode oferecer, além do suprimento calórico, um composto rico em fibras, minerais, vitaminas do complexo B e compostos bioativos, estes últimos presentes no farelo.
As duas pesquisadoras destacam que esses compostos bioativos do arroz integral englobam o g-orizanol e homólogos da vitamina E, e na sua fração hidrossolúvel, os compostos fenólicos. A ingestão destes compostos bioativos tem sido relacionada à redução do colesterol sérico, com ênfase no LDL, bem como benefícios da relação HDL/LDL, redução de risco de doenças inflamatórias, entre outras.
Os homólogos da vitamina E (tocoferóis e tocotrienóis), são compostos com alta capacidade antioxidante e estudos vêm demonstrando sua atuação na redução do risco à patogênese de doenças crônicas. Por fim, os compostos fenólicos formam um conjunto de substâncias com estruturas químicas diferenciadas e complexas que englobam fenóis simples, ácidos fenólicos, cumarinas, flavonóides, taninos e ligninas.
Acredita-se que a capacidade antioxidante destes compostos possa reduzir o risco de doenças causadas pelo estresse oxidativo, como doenças cardiovasculares, câncer, doenças degenerativas (mal de Alzheimer e mal de Parkinson), bem como serem coadjuvantes no tratamento da hipertensão e diabetes.
Estudos realizados pela USP, em parceria com a Epagri, têm contribuído com informações importantes sobre a presença destes compostos bioativos em diferentes genótipos de arroz desenvolvidos pela Epagri, bem como no arroz-vermelho. Segundo Nádia Valéria, as variedades de arroz-vermelho apresentam cerca de 5,7 vezes mais compostos fenólicos totais do que as de arroz branco.
Estudos adicionais serão realizados entre a USP e a Epagri, para se estabelecer se há acúmulo destas substâncias em determinados genótipos, bem como o efeito do ambiente (região de cultivo, época de plantio) na concentração. Quanto à parboilização, estudos futuros irão indicar se o processo influi na retenção do g-orizanol.
As pesquisadoras da USP também visitaram indústrias de arroz do Estado para conhecer de perto os processos de beneficiamento de arroz adotados em Santa Catarina, especialmente a parboilização, que é uma marca do arroz catarinense.  Cerca de 90% do arroz beneficiado pelas indústrias de Santa Catarina são parboilizados e comercializados em todo o país.

Fonte: Epagri e Cristina de Simone Pascual, Úrsula Maria Lanfer Márquez e Nádia Valéria Mussi de Mira, do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, USP (0xx11- 8696-3712).

Acesse: www.epagri.rct-sc.br

     
  da Redação do Via da Gastronomia  
  publicada em 2 de junho de 2008  
     
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