DOCERIA
 
Os doces que trouxeram a colonização
 
Foram os portugueses que trouxeram para o Brasil a tradição dos doces e bolos, especialmente aqueles feitos com uma grande quantidade de ovos e açúcar. Em seguida, as receitas adaptaram-se aos ingredientes locais e passaram a utilizar as frutas tropicais. Isso ocorria já em 1587, surgindo os primeiros doces com as frutas nativas e os primeiros bolos.
Os cremes e determinados tipos de pães de influência francesa só chegaram ao Brasil com a vinda da corte portuguesa. Quanto mais ovos e açúcar tinham os doces e bolos, mais rica era a família. Nos cardápios das festas também não faltavam doces de banana, abóbora, goiaba e coco.
Podia faltar algum ingrediente, substituído por outro, mas o açúcar era insubstituível. Esta iguaria, considerada um tempero, tem sua origem primitiva no termo sânscrito “sharkara”, que significa grão, areia grossa, “al zukkar”, em árabe, “açúcar”, em português.
Naquela época, era proveniente apenas da cana-de-açúcar, descoberta 500 anos a.C., pelos persas, que a denominavam de "rosa que dá mel sem o trabalho da abelha".
Também foram os portugueses que trouxeram as primeiras mudas da cana-de-açúcar, junto com a tradição de produzir doces com um grande número de gemas de ovos, já que as claras eram usadas pelas freiras, nos conventos, para engomar seus hábitos. Para evitar o desperdício, foram inventadas pequenas maravilhas, como quindins, papos-de-anjo, ambrosias e o pecado da gula.
 
 
Fartura é o maior atrativo do café colonial
 

Mesa farta e muitas variedades de doces, pães, bolos e cucas são o atrativo dos cafés coloniais, além dos salgados que, em muitos casos, são receitas de família. Há restaurantes que servem até 100 variedades de guloseimas, junto com café, chás, chocolate, sucos e vinhos.
Os mais famosos cafés coloniais estão em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde foi mais expressiva a colonização alemã e italiana. Estas duas culturas, unidas, é que deram origem ao nosso diversificado café colonial de hoje.
Diz-se que viajantes e turistas que passavam pelas cidades de colonização alemã eram recebidos pelas famílias, que lhes davam abrigo e refeição farta, colocando na mesa tudo o que tinham de melhor.
Eram os mesmos doces e salgados que faziam para as tradicionais festas de kerb (festa realizada na data de inauguração da igreja local e que durava três dias), sempre acompanhados de uma bandinha e com fartura de alimentos.
Assim teria surgido o café colonial, repleto de salames, bifes variados, lingüiças, tortas salgadas e doces, nata, queijo, apfelstrudel (torta de maçã), schmier, morcilhas, cucas e pães, um verdadeiro paraíso para os comilões.

Em Florianópolis, há três locais onde é servido café colonial:

Hotel Itaguaçu 
É muito freqüentado e anuncia que tem aproximadamente 100 itens no cardápio.
Horário: sexta a domingo e nos feriados, das 16h às 22h.
Reservas: (48) 3248-2600 ou 3244-0488.
Endereço: av. Ivo Silveira, 3.861, bairro Capoeiras.

Café Colonial Girassol
Única casa que serve exclusivamente café colonial e, nos meses mais frios, agrega canja e sopa ao cardápio a partir das 18h.
Horário: sábados, domingos e feriados, das 16h às 22h
Durante a semana somente com reservas.
Endereço: rua Rita Lourenço da Silveira, 125, Lagoa da Conceição.

Pegorini Restaurante Café 
Oferece uma grande variedade de doces, salgados e bebidas.
Horário: terça a sexta-feira, das 16h30 às 22h.
Sábados, domingos e feriados, das 17h às 22h.
Reservas: (48) 3324-0748.
Endereço: rua Alves de Brito, 181, Centro.

     
  da Redação do Via da Gastronomia  
  publicada em 2 de junho de 2008  
     
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